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Carinho em excesso pode provocar comportamentos inadequados do cão

15 janeiro DBV - Dicas Bem Viver 0 Comments


Educar um animal é uma tarefa que exige cuidado e disciplina do dono. Para que o comportamento de um cachorro não seja um empecilho ou para que ele não fique mimado, é preciso controle nas ações e no cuidado excessivo. Caso contrário, o seu animal pode criar hábitos inconvenientes ou distúrbios de comportamentais.

Segundo o veterinário Edney Andrade Reis, um dos problemas é a humanização do animal. "Hoje em dia já existem hotéis e ofurôs para cães iguais aos dos humanos. Essa humanização pode transformar o animal e isso não é interessante. Pessoas que têm carinho excessivo com cães são as que mais têm problemas com eles, pois elas não os tratam como cães."

A estudante Camila Fonseca Dornelas comenta que o seu cachorro é tratado como um ser humano dentro do ambiente familiar. O animal dorme em uma cama acompanhada de duas pessoas, come frutas, além de ter vários objetos para brincar e se acomodar. "Ele tem três camas, mas dorme com a minha mãe todos os dias. A gente dá fruta para ele, mas ele só gosta de banana. Quando era menor chegou até a tomar iogurte."



De acordo com Camila, quando não se dá atenção ao cachorro, ele chega fazer xixi na beirada da cama ou na frente da geladeira, late para chamar atenção e fica agitado. A estudante afirma que já foi repreendida pelo veterinário por causa da maneira como trata o animal. "Ele fala que o cachorro precisa se sentir um cachorro no ambiente. O veterinário sempre fala que não podemos tratá-lo dessa maneira e que isso muda o comportamento dele."

Reis comenta que o carinho é essencial na relação, desde a infância até o animal se tornar adulto. "O carinho não faz mal algum. O que leva a problemas comportamentais do cachorro é a falta de controle e limites." Segundo ele, o cachorro precisa de um líder e o dono deve exercer esse papel. "Quando ele tem esse líder, corresponde a tudo de uma maneira positiva. O problema não está nele, mas no ser humano."

Controle

Para se impor como um líder e sem perder o carinho, o dono tem de demonstrar ao animal que ele precisa ter limites.  Um exemplo apontado pelo veterinário é dormir com o cachorro na cama. Ele explica que existe diferença entre permitir esse ato de maneira espontânea ou quando é forçado pelo animal. "Se o cão dorme na cama porque ele ficou latindo ou pulou nela e o dono não repreende, ele vai se sentir dono da cama." Para evitar isso, Reis aconselha ignorar os pedidos do animal e depois permitir que ele suba na cama. "Essa é uma maneira de mostrar que ele só dorme na cama quando você deixa." 

Outro exemplo é o animal ficar agitado quando chegam visitas à casa. Se ele começa a latir e o dono o tranca em uma varanda, é preciso que essa forma de punição permaneça até que o comportamento melhore. Caso o cachorro fique latindo do lado de fora e com pena o dono o tira do castigo, é sinal de que a ação de latir foi positiva. "Isso é uma forma de ensinar que latir é legal, pois o cachorro se sente premiado." Segundo o veterinário, isso acontece muito em refeições, quando o animal sobe no dono. "O cachorro não pede comida porque está com fome. É uma forma dele conquistar um espaço."




Alimentação

Reis afirma que dar comida em vez de ração não faz com que o animal crie o hábito de comer apenas um determinado alimento. Segundo ele, quando as pessoas afirmam que o animal come apenas determinado produto, é porque o dono não dá tempo dele ter fome. "O animal come para satisfazer as necessidades energéticas. Normalmente, o dono não deixa que ele fique com fome e, isso sim, cria o hábito de não comer outros alimentos."

Irritação

Quando o cachorro está agitado, nervoso ou agressivo, deve-se tentar descobrir o que motiva esse comportamento. "Quase sempre é alguma ação do dono que o animal não gosta. Pode ser até falta de exercício." Enquanto o motivo não é descoberto, Reis aconselha ignorar o comportamento ou deixá-lo longe. "Carinhos vão fazer com que ele pense que é positivo ficar com esse comportamento."

A dica do veterinário é ignorar e repreender os comportamentos que podem tornar o animal o dono da relação. "É como criar uma criança. No entanto, com muito mais esperteza do que um bebê. Tem que impor limites na criação. O cachorro só aceita ser domesticado porque ele aceita a hierarquia."

Por Victor Machado/Acessa.com


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