Comportamento

Ciúmes no divã. Como anda seu grau de ciúmes? Leia esta matéria e livre-se de algo que, além de não te fazer feliz, pode te levar à violência e a morte.

25 abril Revista Conexão Nordeste 0 Comments

Por Marcia Cruz

Você se considera uma pessoa ciumenta? Ou vítima de um relacionamento ciumento? Resolvemos ir a campo para entender um pouco mais sobre este sentimento que permeia a humanidade e que, se não controlado, pode torna-se doentio e até mesmo mortal.

A palavra deriva do termo grego “zelos”, que está associada ao conceito de “ferver” ou “fermentar”, o que explica muita coisa, pois uma pessoa possessa de ciúmes perde o controle de si mesmo e chega a cometer atos de violência ou até homicídio.

Claro que o zelo, ou um pouco de ciúmes da pessoa amada é uma atitude natural do ser humano; mas o que não podemos aceitar jamais são atos de violência em nome do amor por alguém que não tem domínio próprio e mansidão, sentimentos que encontramos ao nos relacionarmos com o nosso Criador.  Afinal, como diz a Bíblia em 1 Corintios 13: “o amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal,; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudfo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba!”

Então, deixemos de hipocrisia: maltratar não é amor; violência não é amor; matar não é amor! E para que você entenda melhor sobre esse sentimento, e mantenha-o sobre o controle, o colocamos, literalmente, no divã.  Boa parte das respostas encontramos num site dedicado exclusivamente ao tema, o “ciúmes.com”. Nos acompanhe!

DEFINIÇÕES COMUNS

Embora os ciúmes sejam quase exclusivamente um sentimento íntimo, apenas partilhado entre o casal, a sua presença no dia-a-dia é altamente mediática, sendo mesmo o tema central de milhares de filmes, livros, músicas e outras manifestações artísticas. O dicionário português da Porto Editora apresenta três definições para a palavra ciúme:

1.           “Inveja de alguém que usufrui de uma situação ou de algo que não se possui ou que se desejaria possuir em exclusividade.”
2.           “Sentimento de possessividade em relação a algo ou alguém.”
3.           “Sentimento gerado pelo desejo de conservar alguém junto de si ou por não conseguir partilhar afectivamente essa pessoa; sentimento gerado pela suspeita da infidelidade de um parceiro.”

iDENTIFICANDO O CIUMES

Os ciúmes manifestam-se em todas as relações, com mais ou menos frequência, com mais ou menos intensidade – daí a importância de perceber de que tipo de ciúmes se trata: inocente ou possessivo? Saudável ou doentio?

1.           Ciúmes inocentes: uma pitada de ciúme nunca fez mal a ninguém, nem é o suficiente para colocar um ponto final em qualquer relação. É perfeitamente normal uma mulher sentir ciúmes ao ver o namorado a folhear uma revista com fotografias da sua atriz preferida e elogiar os seus muitos atributos; o mesmo se diz de um homem que não pode negar o ciúme que se manifesta quando a namorada sai para jantar só com as amigas num vestido de arrasar. Inocentes e inofensivos, este tipo de ciúme apenas demonstra o amor que se sente por outra pessoa.

2.           Ciúmes saudáveis: se um membro do sexo oposto aprecia abertamente o seu parceiro(a) à sua frente, é natural que sinta uma pontada de ciúmes, mas esse acaba por ser um sentimento simultaneamente ciumento e de orgulho porque, embora ele/ela seja alvo de atenção de outro homem ou mulher, é consigo que está. Curiosamente, este tipo de ciúmes tem a tendência de aproximar os casais.

3.           Ciúmes românticos: diz-se muitas vezes que o ciúme é uma resposta protetora, cognitiva, emocional e comportamental a qualquer fator externo que possa ameaçar um relacionamento a dois. No caso dos ciúmes românticos, essa ameaça é a existência de uma terceira pessoa (real ou imaginária) e a simples ideia de que possa existir uma atração entre ela e o seu parceiro(a), desencadeia um turbilhão de pensamentos, sentimentos e ações que são manifestadas em contexto de ciúme.

4.           Ciúmes sexuais: este tipo de ciúme tem na sua base o conhecimento ou a suspeita de que o seu parceiro(a) já teve, fantasiou ter ou deseja ter relações sexuais com uma terceira pessoa.

5.           Ciúmes emocionais: neste caso, a pessoa ciumenta sente-se ameaçada pelo envolvimento ou ligação emocional e/ou amor do seu companheiro(a) por uma terceira pessoa, que tanto pode ser uma amiga ou amigo, um familiar ou colega de trabalho.

6.           Ciúmes obsessivos: quando ao sentimento de ciúme se junta a obsessão em saber todos os passos que o seu parceiro(a) dá sem si, os ciúmes numa relação atingem um nível mais perigoso e pouco saudável. A obsessão com a pessoa amada e o medo de a perder pode não só levar aos ciúmes possessivos e a um controle excessivo sobre essa pessoa, como pode conduzir a agressões verbais e físicas.


DESCUBRA SEU NÍVEL DE CIUMES

Identificados os tipos de ciúmes, a seguir relacionamos alguns sinais de alerta que mostram que o seu ciúmes, ou da pessoa com quem se relaciona, já está no patamar de ciúmes possessivo, que não é nada bom para a felicidade de vocês.
Não se iluda! No inicio de qualquer relação, tudo é um mar de rosas e você pode até achar divertido ter um namorado ou namorada ciumento (a). Mas, com o passar do tempo, as coisas pioram e podem chegar a patamares de extrema violência e dor. Não confunda preocupação com possessão. Por isto, analise a lista e trate do assunto já!

1.           Interrogatórios excessivos. As pessoas que têm muitos ciúmes do seu companheiro(a) têm por hábito questioná-lo acerca de tudo o que se passou no seu dia ou numa saída com amigos. Os interrogatórios são longos e até aborrecidos porque a pessoa ciumenta quer saber tudo o que aconteceu – até ao mais pequeno detalhe – durante o tempo em que não estiveram juntos.

2.           Comentários sobre a forma como se veste. Este é um clássico, principalmente quando surge repentinamente e pode incluir desde comentários negativos sobre roupa que não lhe fica bem (mesmo que fique) a “proibições” claras sobre o que pode ou não vestir, sendo que muitas vezes a pessoa ciumenta admite que apenas pode vestir determinada roupa quando sai com ele/ela.

3.           Escolta pessoal para todo o lado. Os ciúmes também se manifestam através da vontade e insistência contínua para acompanhar ou levar o companheiro(a) a todo e qualquer lugar, mesmo aos mais habituais ou desinteressantes. Há quem faça questão de ir buscar o seu parceiro(a) ao trabalho, simplesmente porque não quer que ele/ela vá tomar um café com os colegas de escritório no final do dia, por exemplo.

4.           Dezenas de telefonemas diários. Se todos os dias recebe dezenas de telefonemas ou SMS do seu namorado(a) a perguntar onde está, o que faz, com quem, até que horas e porquê… o mais certo é estar a ser controlado por uma pessoa ciumenta. Não confunda preocupação com possessão.

5.           Zanga-se se olha para alguém do sexo oposto. Por norma, quem tem ciúmes – seja homem ou mulher – sofre de baixa auto-estima/auto-confiança e vive com receio de perder o seu parceiro(a), ou seja, o simples facto de olhar para alguém do sexo oposto (mesmo que seja inocentemente), é o suficiente para desencadear uma cena de ciúmes. Acontece também de, muitas vezes, a pessoa ciumenta acusar o seu companheiro(a) de estar observando outro homem ou mulher, mesmo que não esteja.

6.           Interferência na vida social. As relações amorosas são apenas uma parte da vida social de qualquer pessoa, que geralmente inclui ainda amigos, família e passatempos pessoais. As pessoas ciumentas tentam muitas vezes minar os planos do seu companheiro(a) porque, para além de terem medo de estarem ou de ficarem sozinhos, não gostam da ideia do seu parceiro(a) fazer planos e divertir-se sem ele/ela. É habitual fazerem planos mesmo sabendo que o namorado(a) já tem algo combinado, mas obrigam-no a desmarcar os seus. Aos poucos, podem tentar afastar o seu parceiro(a) de todas as outras pessoas que fazem parte da sua vida.

7.           Discussões frequentes. Numa relação em que uma das partes é ciumenta, as discussões são frequentes e intensas, normalmente despoletadas por “pequenos nadas” e alastrando para cenas de ciúmes desproporcionadas. Estas discussões podem ainda ser marcadas por um tom dominante por parte da pessoa ciumenta, que pode até mesmo ameaçar verbal ou fisicamente o outro(a).

8.           Vigilância constante. Quem é ciumento procura controlar cada passo dado pelo seu parceiro(a) – desde verificar as chamadas e SMS do celular, até ler os emails e abrir o correio, passando por mexer na carteira, bolsos de casacos e até segui-lo. Pode estar a ser controlado se o seu parceiro(a) aparecer frequentemente de “surpresa” no local onde costuma almoçar com os colegas de trabalho ou se se cruzarem por “coincidência” no local onde combinou tomar café com um amigo(a).

9.           Acusações de infidelidade. Mais do que ter ciúmes, as pessoas ciumentas têm necessidade de serem comunicados sobre cada passo da pessoa amada, seja qual for a situação: trabalhar até tarde, um almoço de família ou uma má disposição. Qualquer fato que os obrigue a estarem separados, serve para a pessoa ciumenta acusar o outro(a) de ser infiel.
  
10.        Cenas de ciúmes. Uma relação marcada pelo ciúme é invariavelmente marcada por cenas de ciúmes e estas tanto podem ser em privado, como em público. Porém, se cada saída acaba por ser estragada por um ataque de ciúmes – independentemente de estarem rodeados de amigos, familiares ou estranhos – é porque alguém estava a controlar alguém, em vez de desfrutar da sua companhia.

DANDO ADEUS AO CIUMES

Para finalizar, segue uma lista com dicas importantes de como lidar de forma madura e consciente com o ciúmes. Seja sincero e examine-se a si mesmo e a forma como se relaciona como a pessoa amada.

1.           Aprenda com o passado. Fazemos e reconhecemos os erros do passado para não voltar a cometê-los, nem no presente, nem no futuro, por isso, se o fato de ser ciumento já vem de trás, está na hora de dá um basta! Se os ciúmes já prejudicaram uma ex-relação, corre o risco disso voltar a acontecer. Será que esses ataques de ciúmes não estarão na base de uma vida amorosa atribulada? Ninguém quer viver uma relação assim, até porque não resolve nada, antes pelo contrário.

2.           Evite fazer filmes. Quem é ciumento tem a tendência de deturpar a realidade, ou seja, um pequeno gesto ou palavra é o suficiente para despertar os ciúmes mais loucos o que, por sua vez, desencadeia um verdadeiro “filme” na sua cabeça. É importante não deixar que a sua imaginação fomente os ciúmes de uma coisa que pode nem ser real. As pessoas mais ciumentas precisam aprender a distinguir a realidade da ficção, simplesmente porque nem tudo o que parece é.

3.           Não exagere. Rodado o “filme”, os mais ciumentos têm a tendência de passar para a ação – discussões, acusações, vitimizações, agressões verbais e até físicas podem fazer parte de um ataque de ciúmes. Se deve pensar sempre duas vezes antes de reagir a qualquer provocação, no caso dos ciúmes, pense três. Será que vale realmente a pena?

4.           Segunda opinião. Nem todas as pessoas sabem lidar bem com os ciúmes, até porque essa é uma emoção que faz parte da natureza humana. Se é o seu caso e em vez de fazer cenas lamentáveis – e sobre as quais vai se arrepender mais tarde – procure um amigo(a) para desabafar as suas inseguranças e preocupações. É sempre bom ter a opinião de uma pessoa neutra, por isso, convide esse amigo(a) para sair e peça-lhe para observar seus comportamentos e falar francamente sobre as suas atitudes: há ou não motivos para ciúmes? Lidou bem ou mal com a situação?

5.           Respeito próprio. Quem sofre insistentemente com ciúmes tende a sentir-se com baixa auto-estima e auto-confiança porque ao sentir-se ameaçado com a possível perda do companheiro(a) culpa-se a si e desencadeia uma série de ataques pessoais: ou porque é muito gordo, magro, pouco interessante ou inteligente… Esse tipo de negatividade é uma chama para manter o espírito ciumento a arder, por isso, é necessário respeitar-se e fazer-se respeitar. Alguém que está extremamente seguro de si, não se sentirá ameaçado por o que quer que seja. Faça o que tiver de fazer para sentir-se sempre bem na sua pele.

6.           Conversas a dois. A confiança e a comunicação representam o pilar de qualquer relação a dois e quando o primeiro é posto em causa, é preciso recorrer ao segundo, rapidamente. Em vez de fazer uma cena de ciúmes em frente aos amigos ou estragar aquela que estava a ser uma noite perfeita de regresso a casa no carro, respire fundo, analise a situação friamente e só depois (talvez até não seja má ideia dormir sobre o assunto) é que deve conversar com o seu companheiro(a). Sim, conversar e não confrontar ou gritar. Fale abertamente sobre aquilo que o incomodou e de como se sentiu. Certamente perceberá que afinal não foi nada e que não voltará a sentir-se incomodado com o assunto, se voltar a ocorrer.

7.           Dê atenção à relação. Quem estar obcecado em seguir cada passo e palavra do seu parceiro(a) dificilmente terá tempo ou paciência para dedicar à relação em si. Mas afinal o objetivo de estarmos com outra pessoa não é para viver e sentir uma proximidade saudável e apaixonante? Para nos conhecermos cada vez melhor, para nos apoiar-nos e fazer planos para o futuro? Para nos divertirmos? Então porque é que está a perder o seu precioso tempo a dois com ciúmes infundamentados? Se se dedicar tanto ao fortalecimento da relação como dedica aos ciúmes, essa palavra deixará de fazer parte do seu vocabulário.

Então é isto, pense sobre o assunto, vença o ciúme e seja mais feliz! Combinado assim? Até a próxima edição!

Marcia Cruz

cruzmarcia@gmail.com

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