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Vazamento de dados do Facebook atingiu mais de 400 mil brasileiros

09 abril Marcia Cruz 0 Comments


A partir desta segunda-feira (9/4) o Facebook irá avisar os mais de 400 mil brasileiros que foram afetados com o vazamento de dados. De acordo com o  diretor de tecnologia do Facebook, Mike Schroepfer, ao todo, 87 milhões de perfis foram violados pela empresa de consultoria Cambridge Analytica, que trabalhou para a campanha presidencial de Donald Trump, em 2016, e é suspeita de ter colhido informações pessoais de usuários da rede social de forma irregular.  Destes, 443.117 são usuários brasileiros.

O Brasil está entre as dez nações em que a rede social reconhece que houve brechas devido ao programa. A maioria está nos EUA (70.632.350), seguido por Filipinas (1.175.870), Indonésia (1.096.696) e Reino Unido (1.079.031).

Também houve prejudicados pelos vazamentos em México (789.880), Canadá (622.161), Índia (562.455), Vietnã (427.446) e Austrália (311.127). Em todos os países, a empresa se comprometeu a comunicar o problema aos usuários a partir de segunda (9).

Ao anunciar os países prejudicados, Schroepfer informou que a rede social mudará as permissões de informações para aplicativos, centralizando as permissões de dados nos casos de grupos, eventos e páginas públicas.

O Facebook também decidirá que aplicativos terão acesso a curtidas, check-ins, fotos, postagens, vídeos, eventos e grupos. Também restringirá o acesso a números de telefones celulares e emails de usuários desconhecidos.

E proibirá mecanismos de terceiros que acessem informações pessoais como religião, orientação política, status de relacionamento, formação educacional e profissional, exercícios físicos, músicas, livros, notícias, vídeos e jogos.

O caso foi revelado pelos jornais New York Times e The Observer (versão dominical do Guardian) e pela rede de TV britânica Channel 4 e, desde então, a empresa vem perdendo valor de mercado. Também tem sido questionada sobre a eficácia do controle sobre os dados dos usuários e as consequências de seu uso por terceiros.  Também crescem os questionamentos em vários países sobre o alcance e o poder do Facebook e de outras plataformas e a necessidade de regulação dessas atividades.


Depoimento  de Mark Zuckerberg no Congresso dos EUA

O presidente e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, será ouvido em audiência no Congresso dos EUA nesta quarta-feira (11/4), sobre o uso e a proteção de dados dos usuários.

É a primeira vez que Zuckerberg deporá a legisladores americanos. O testemunho ocorre sob crescente grita de políticos e da opinião pública contra o Facebook e outras firmas de tecnologia.

A audiência com Zuckerberg foi confirmada pela Comissão de Energia e Comércio da Câmara. Ela será realizada ao meio-dia do horário local, ou 11h de Brasília.

Em nota, os deputados Greg Walden e Frank Pallone, membros da comissão, afirmaram que o depoimento será "uma importante oportunidade" para debater a privacidade dos dados de usuários da rede social e vai "ajudar os americanos a compreender melhor o que acontece com sua informação pessoal online".

Os políticos agradeceram a disponibilidade de Zuckerberg -que tem sido cobrado, desde o ano passado, para responder pessoalmente aos questionamentos sobre a segurança de dados na plataforma, e o uso de suas ferramentas para fins políticos e comerciais.

Nos últimos dias, o executivo veio a público por meio de notas e entrevistas, em que lamentou e reconheceu o erro do Facebook no caso da Cambridge Analytica.


Cambridge Analytica: Como tudo começou  

O caso envolvendo a Cambridge Analytica começou em 2014, quando o professor Aleksandr Kogan, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, criou um teste de personalidade no Facebook com o pretexto de conduzir um estudo psicológico.

Cerca de 270 mil pessoas fizeram o teste de Kogan, mas, sabe-se agora, o sistema permitiu que sua equipe visse o perfil de 87 milhões de usuários, pois também captava as informações de todos os amigos de quem baixou o app. O procedimento era permitido então, mas deixou de sê-lo.

No ano seguinte, Kogan repassou esses dados à Cambridge Analytica, que então contratou outros especialistas, entre eles Christopher Wylie, que acabou revelando o esquema ao The Observer.

De posse de dados como curtidas e redes de amigos, a firma com sede em Londres conseguiu montar perfis de potenciais eleitores para bombardeá-los com mensagens políticas que visavam influir na eleição dos EUA .

O Facebook disse inicialmente que descobriu o esquema em 2015 e removeu o aplicativo de Kogan, exigindo que a Cambridge Analytica apagasse os dados desviados.

Diante das revelações de que as informações não foram apagadas e podem ter interferido na campanha, a rede então bloqueou as contas de todos ligados à consultoria em sua plataforma.

Vamos então aguardar o desenrolar desta história, e nos precaver quanto a dados pessoais disponibilizados nas redes sociais, como um todo. 

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