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A necessidade do tom conciliador na politica

02 outubro DBV - Dicas Bem Viver 0 Comments


Por Luiz Eduardo da Silva*

Estamos há poucos dias de eleições no País e o que se vê, mais que polarização entre direita e esquerda, sem uma boa dose de desconfiança e falta de motivação do eleitor com relação a quem vai cuidar dos destinos do Brasil, é a forma contundente, hostil e até violenta que tem permeado os debates sobre o tema, tanto entre candidatos quanto entre eleitores.

O Brasil vem de uma crise financeira nunca vista pela forma que os governos Lula e Dilma conduziram a economia, por privilegiar de forma irresponsável o populismo e o assistencialismo, trazendo um desastre tamanho que serão necessárias algumas décadas para restabelecer o equilíbrio que se vinha atingindo com o Plano Real.  Mas pior que essa crise financeira é a de ideologia, onde se busca subverter valores éticos e morais até então inquebrantáveis, como a discussão sobre ideologia de gênero desde a infância, por exemplo.

Os movimentos de esquerda, inspirados no bolivarianismo e no próprio decálogo de Lenin, assombram com suas ideias que aterrorizam e nos faz temer como se comportarão, se eleitos, para de conduzir a pátria brasileira, e também causa preocupação o tom que a direita extrema trata alguns temas, que apesar de tudo não ultrapassam a irracionalidade lulopetista.

Nestes dias, o Sr. José Dirceu, condenado no Mensalão e na Lava-jato, em entrevista ao jornal El Pais, deixou claro que não se trata de vencer eleição, mas de “tomar o poder”.

O caminho a ser adotado deve ser outro, pois o Brasil precisa de reformas profundas, que só podem surgir se houver um grande entendimento nacional.

As reformas necessárias somente serão trazidas se acabar o jeito do líder da nação comportar-se como líder de torcida organizada que hostiliza quem simpatiza com outros times.

Ao contrário, tem que tratar de resgatar o valor da politica tradicional, sendo capaz de unir a Nação em torno de consensos.

Tentar matar candidato é forma grotesca de assassinar a democracia, pois não de pode falar em liberdade e em democracia, sem que se respeite a pluralidade de opiniões e pontos de vista da sociedade, em detrimento do que pensa que detém o poder.

Nossa democracia hoje está machucada, manchada, pois o comportamento dos políticos inviabiliza o diálogo.

A melhora só será possível, e a própria governabilidade surgirá, a partir do momento em que a politica recobrar seu caráter de mediação pública entre iguais, e onde os partidos políticos readquiram sua capacidade de representação dos anseios da sociedade.

A crise do país não é jurídica e nem política, é moral. A ponto de fingir-se que nada aconteceu, pois rasgaram normas orientadoras de ações onde o mau virou certo e o errado se transformou no bom, a ponto de questionarmos a presença dos homens de bem na política.

Vale aqui parafrasear Rui Barbosa: “Que o governo seja só governo, que distribua a justiça, mantenha a ordem e puna o crime, arrecade impostos, represente o país, mas não transponha a meta natural, mas que não substitua a sociedade. Para nós só há uma politica possível, um dever, um culto: melhorar a sorte do povo.” (in Cartas do Solitário).


* Luiz Eduardo da Silva

 - Advogado da Temporini Silva Sociedade de Advogados

 - Especialista em Direito Arbitral

 - Vice-presidente do IMAT - Instituto de Mediação e Arbitragem do Alto Tiete - São Paulo




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